Minhas senhoras e meus senhores,
Quero felicitar e cumprimentar os participantes nesta cimeira Empresarial. É uma honra para Portugal acolher este evento.
A Presidência Portuguesa decidiu propor uma nova cimeira da União: a cimeira União Europeia-Brasil. Esta cimeira será, seguramente, uma marca muito impressiva que deixaremos na política externa da União. Desde logo ela dará coerência ao relacionamento entre a Europa e as potências económicas emergentes. A Europa já tem cimeiras anuais com a China, com a Índia e com a Rússia. A partir da Presidência Portuguesa, terá também cimeiras regulares com o Brasil.
A ausência de uma Cimeira entre a UE e o Brasil era uma lacuna. E Portugal era o país mais bem posicionado para preencher esta lacuna.
Com esta iniciativa, Portugal dá o seu contributo específico para enriquecer a política externa europeia, promovendo um relacionamento formal mutuamente benéfico para o Brasil e para a Europa com a institucionalização do diálogo ao mais alto nível. Com esta parceria estratégica queremos reforçar a cooperação em temas prioritários da agenda internacional como as alterações climáticas; a energia; o combate à pobreza; e paz e segurança.
Esta parceria estratégia é também uma boa notícia para os mundos empresariais do Brasil e da UE. Nada melhor para reforçar o clima de negócios do que uma boa e forte relação política.
A cimeira UE-Brasil é, no fundo, o reconhecimento do papel crescente que o Brasil tem desempenhado a nível mundial e que o torna num interlocutor essencial para a UE dadas as responsabilidades que ambos têm no mundo de hoje. Chegou, portanto, o momento de olhar para o Brasil como um parceiro estratégico, como um player económico de primeiríssimo plano na América Latina e como um país líder das economias emergentes.
Relações comerciais UE-Brasil
Esta cimeira e as decisões políticas que referi são um passo na direcção certa e uma resposta adequada à globalização e à crescente afirmação das novas economias emergentes.
A União Europeia é, como sempre foi, o principal parceiro comercial do Brasil. O comércio bilateral ascendeu, em 2006, a cerca de 44 mil milhões de euros em 2006. A Europa absorveu cerca de 25% das exportações brasileiras. Mas, apesar destes valores, há ainda um grande potencial por explorar. O Brasil representa apenas cerca de 2% do total de importações europeias com origem extracomunitária e só 1,5% do total de exportações europeias com destino extracomunitário.
A verdade é que o Brasil, sendo uma das potências mundiais, com um ritmo de crescimento de 3,5% em 2006, tem empresas com dimensão mundial em sectores como os petróleos, a aviação, os media, a informática ou a agro-indústria e é hoje uma referência de estabilidade e de sucesso nas economias emergentes.
Nos últimos anos tem havido um reforço das relações comerciais entre os dois blocos, fundamentalmente ao nível dos fornecimentos do Brasil à UE que cresceram cerca de 9% ao ano entre 1999 e 2005. As exportações da UE para o Brasil cresceram cerca de 1,7% ao ano no mesmo período.
Há assim um claro potencial por explorar pelas empresas europeias e brasileiras. Além disso o Brasil desempenha um papel central nos processos de integração regional da América do Sul e do Mercosul, em especial, o que potencia as relações entre a Europa e a América do Sul.
Na cooperação bilateral da União com o Brasil quero ainda sublinhar a adopção, em Maio, do documento estratégico para o período 2007-2013, com um orçamento de cerca de 61 M€ e que define como áreas prioritárias de cooperação a promoção das relações bilaterais em áreas concretas, no domínio do ensino superior, e do estabelecimento de Institutos de estudos europeus, bem como na dimensão ambiental do desenvolvimento sustentável. A parceria estratégica que queremos construir dará, portanto, um novo impulso a esta relação bilateral.
Mas se há área que deve ser destacada essa é a da energia. A UE e o Brasil partilham a convicção de que a cooperação nesta área pode oferecer benefícios mútuos. O Fórum Internacional sobre Biocombustíveis proposto pelo Brasil em Março de 2007 é uma iniciativa cujo mérito e cuja importância quero aqui sublinhar. Esta é a instância adequada para o desenvolvimento de normas e códigos comuns que são fundamentais para a existência de um mercado internacional, garantindo simultaneamente que a produção é sustentável e tem como resultado a redução de emissões de gás com efeito de estufa. A conferência internacional que reúne amanhã em Bruxelas todos os países interessados é já um primeiro resultado desta proposta desta cooperação global no domínio dos biocombustíveis.
Se alguém tem dúvida quanto ao futuro dos biocombustíveis, a resposta do mercado demonstra que vieram para ficar e são um instrumento poderoso na redução de emissões CO2, combate às alterações climáticas, inovação e emprego.
Os líderes empresariais aqui reunidos sublinharam a relevância destas cimeiras como o fórum apropriado para definir o rumo das relações entre estes dois blocos económicos.
Partimos por isso para esta parceria estratégica entre a União Europeia e o Brasil com a confiança e com a determinação de quem quer construir uma agenda voltada para o futuro, à altura das nossas responsabilidades, e capaz de contribuir para a estabilidade e para a prosperidade das nossas economias. Esta cimeira é um bom contributo para a construção de um mundo melhor.