Portugal e Espanha vão avançar na próxima Cimeira Ibérica com um projecto conjunto no domínio das energias alternativas, que ficará sedeado em Badajoz, na Extremadura espanhola, anunciou hoje o chefe de governo de Espanha.
José Luiz Zapatero adiantou que a área das energias renováveis é uma das que tem maiores potencialidades de desenvolvimento na Península Ibérica, frisando que o projecto contará com parcerias público-privadas e com a ampla experiência já adquirida pelos dois países nesta área.
"Em cada ano avançaremos com um projecto concreto luso-espanhol", adiantou.
O presidente do governo de Espanha falava, em conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro portugués, José Sócrates, no final da Cimeira Ibérico que decorrreu em Braga durante dois dias e que contou, ainda, com a presença de dez ministros de cada lado.
Zapatero voltou a referir-se à importancia do lançamento do Laboratório Internacional Ibérico de Nanotecnologias de Braga, que implica um investimento de 100 milhões de euros: "a Península não pode ficar de fora das mudanças tecnológicas do século XXI, disse, anunciando que a inauguração contará com a presença do Rei de Espanha, D. Juan Carlos.
"Será o Rei a representar Espanha, não só porque tem a noção da importância das nanociências, mas também porque tem fortes ligações a portugal", sublinhou.
O presidente do Governo de Espanha realçou, em seguida, a realização do Conselho comum de Segurança e Defesa, frisando que se trata de "garantir a segurança da Península" e de avançar na cooperação conjunta entre as forças armadas, nomeadamente na preparação de missões de paz no estrangeiro.
Saudou as excelentes e "fraternais" relações existentes entre os dois países, quer a nível institucional quer pessoal com José Sócrates, enaltecendo o desempenho português na
presidência da União Europeia.
Respondeu, depois, a questões de política interna feitas pelos jornalistas castelhanos, desdobrando-se em críticas ao PP espanhol, que acusou de "fundamentalista" e de se "desviar para a direita", tese que sustentou com o afastamento, por Mariano Rajoy, do presidente da Câmara de Madrid, Alberto Ruiz Gallardón, das listas populares às próximas eleições legislativas.
Disse que as posições do PP não correspondem ao sentir da sociedade espanhola, que quer "uma política de reformas e de moderação, aberta e moderna".
Considerou que a situação económica do país é boa, apesar do aumento da inflação, sublinhando que o superavit das contas públicas espanholas dá margem de manobra para actuar se a crise financeira internacional se mantiver em 2008.
Criticou, ainda que sem o nomear expressamente, a política económica da administração Bush, que terá conduzido aos problemas financeiros que afectam a economia internacinal, e afirmou que as cifras económicas da legislatura, com um crescimento de 2,8 por cento do PIB em 2007, falam por si.
Referiu-se à política que seguiu na actual legislatura para tentar pôr fim à violência da ETA, dizendo que os cidadãos espanhóis compreendem esse esforço porque se trata de "poupar vidas" e de dar segurança a todos os espanhóis.
"Estou certo de que não pagarei um preço político por isso", afirmou, sustentando que os espanhóis não entendem que se tente aproveitar disso para fins partidários.
"Qualquer democrata deve cooperar nesse sentido", declarou, acusando Mariano Rajoy de ter pedido "consenso" sobre o assunto, para o desfazer "apenas um segundo depois".